A Invasão do Corsário Duguay-Trouin (1711)

A INVASÃO DO CORSÁRIO DUGUAY-TROUIN

(1711)

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A fracassada iniciativa do corsário Jean-François Duclerc em 1710, seguiu-se outra, maior e mais bem equipada, no ano seguinte. René Duguay-Trouin (Saint-Malo, 1673 - Paris, 1736), corsário francês, foi incumbido de comandar uma esquadra destinada a invadir o Rio de Janeiro, com o objetivo de obter altos lucros e vingar a morte do outro corsário francês, Jean-François Duclerc.

Em setembro de 1711, a esquadra de René Duguay-Trouin com 18 navios, artilhada com 740 peças e 10 morteiros, com um efetivo de mais de 5.500 marinheiros e soldados, aproximou-se da Baía de Guanabara. Apesar de alertados quanto ao iminente ataque do corsário, os portugueses não estavam prontos para a luta. Seus preparativos para receber os franceses, no entanto, foram feitos sem urgência, pois o então governador da Capitania do Rio de Janeiro, dava como falsa a notícia da chegada desta esquadra francesa. As fortalezas do Rio estavam quase desguarnecidas e os soldados e marinheiros ainda estavam cavando trincheiras quando a frota, dois dias após, coberta pela bruma da manhã e aproveitando vento favorável, ousadamente entrou pela barra da Baía de Guanabara, furtando-se ao fogo das fortalezas e passando sem dar tempo dos canhões dos fortes dispararem contra ela. Depois de nove dias de sítio, após intensos bombardeios, os franceses tomaram a cidade. Libertaram prisioneiros da expedição Duclerc (menos o próprio, que tinha sido assassinado) e quase cem judeus presos pela Inquisição (dois foram para a França, com os corsários). O governador, o bispo, o almirante, todos os notáveis fugiram mais cedo. A população pobre foi quem mais sofreu. Um temporal tornou a fuga pela noite um pesadelo. Pessoas eram pisoteadas, morriam afogadas na lama, mães perdiam seus filhos, ao mesmo tempo que os canhões e trovões tornavam difícil ouvir os gritos.

Duguay-Trouin impôs então pesadas condições para devolver a cidade do Rio de Janeiro: receber vultosa importância em dinheiro. As negociações duraram semanas e os governantes portugueses, regatearam, de vez que não dispunham de toda aquela imensa quantia à mão. Ameaçando queimar a vila inteira, então com 12 mil habitantes, Trouin recebeu, finalmente, em outubro de 1711, o resgate, mas em valor bem inferior ao pedido inicial. Porém, quando duas semanas depois, eles partiram para a França, o total apurado, produto em sua maior parte do saque da cidade, constituía uma fortuna: 600 quilos de ouro, grande importância em dinheiro, cem caixas de açúcar, 200 bois, escravos e dezenas de outros itens. A expedição, em parte financiada com dinheiro oficial francês, havia rendido quase 100% de lucro.