A Invasão do Corsário Jean-François Duclerc (1710)

• A Invasão do Corsário Jean-François Duclerc (1710)

A INVASÃO DO CORSÁRIO JEAN-FRANÇOIS DUCLERC

(1710)

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Em resposta às tentativas de conquistas territoriais no Brasil, a coroa portuguesa decidiu intensificar a colonização do Brasil e melhorar seu status. Entretanto, até o séc. XVIII, era comum piratas e corsários de diversas nacionalidades pilharem povoados e engenhos no litoral brasileiro. A descoberta de ouro no sertão das Minas Gerais reacendeu a cobiça desses elementos, atraindo-os para o litoral da região Sudeste. No contexto de hostilidades entre a França e a Inglaterra, o rei Luís XIV de França autorizou o corso (missão ou carta de marca de um governo, autorizando um pirata -  no caso, chamado de corsário - a pilhar navios de outra nação) aos domínios ultramarinos de Portugal, tradicional aliado dos britânicos.

Por essa razão, em meados de agosto de 1710, Jean-François Duclerc, no comando de seis navios e cerca de 1.200 homens, surgiu na barra da Baía de Guanabara, hasteando pavilhões ingleses como disfarce. Entretanto, as autoridades no Rio de Janeiro, alertadas pela Metrópole, já aguardavam a vinda do corsário francês, razão pela qual o fogo combinado da Fortaleza de Santa Cruz da Barra e da Fortaleza de São João repeliu a frota que tentava forçar a barra. Os franceses navegaram pelo litoral para Sudoeste, rumo à baía da Ilha Grande, saqueando fazendas e engenhos. Lá, aportaram à barra de Guaratiba, onde desembarcaram, marchando por terra para a cidade do Rio de Janeiro. No percurso passaram pelo Camorim, por Jacarepaguá, pelo Engenho Novo e pelo Engenho Velho dos Padres da Companhia de Jesus, descansando neste último. Em seguida, prosseguiram pela região do Mangue, alcançando a falda do morro de Santa Teresa (depois rua de Mata-Cavalos, atual rua do Riachuelo), até ao morro de Santo Antônio, que contornaram até à Lagoa do Boqueirão. Pela rua da Ajuda (atual Melvin Jones) e de São José, alcançaram o Largo do Carmo (atual Praça XV de Novembro), onde encontraram a resistência dos habitantes em armas, tendo se destacado a ação dos estudantes do Colégio dos Jesuítas, que desceram o morro do Castelo. Cansados e sem o apoio da artilharia naval, os corsários foram fustigados pelos cariocas e se renderam. Nesta escaramuça, afirma-se que os franceses perderam 400 homens. Duclerc, que os comandava, foi detido em prisão domiciliar na atual rua da Quitanda, vindo a ser assassinado em condições misteriosas por um grupo de encapuzados, em março de 1711, alguns autores supondo que por questões passionais.

A população da cidade festejou entusiasticamente a vitória durante vários dias. Infelizmente, as autoridades coloniais superestimaram a capacidade do sistema defensivo da barra, difundindo-se a crença generalizada de que, após tamanha derrota, corsário algum voltaria a tentar forçá-la, o que se mostrou dramaticamente incorreto.

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