A vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil (1808)

A VINDA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA PARA O BRASIL

(1808)

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O plano de transferência da família real para o Brasil, refúgio seguro para a soberania portuguesa quando a resistência militar a um invasor fosse inútil na metrópole, fora já por duas vezes sugerido em tempos mais recuados. 

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Antecedentes

No novo contexto internacional criado pelo Império de Napoleão Bonaparte (herdeiro da Revolução Francesa e ditador militar), a idéia da retirada para o Brasil como um meio de reforço de segurança ressurgiu face a ameaça iminente à soberania portuguesa provocada pelas Guerras Napoleônicas (conflito armado que se estendeu de 1799 a 1815, opondo a quase totalidade das nações da Europa a Napoleão Bonaparte) e a eminência da deflagração da Guerra Peninsular (ocorrida de 1807 a 1814, na Península Ibérica, integrando o evento mais amplo das Guerras Napoleônicas e envolvendo Portugal, Espanha, Grã-Bretanha e França).

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A conjuntura de 1807

A Espanha abandonara a aliança com Portugal, fazendo causa comum com a França de Napoleão, daí resultando a invasão de Portugal em 1801, sem que a Inglaterra interviesse. Um tratado assinado entre a França e a Espanha retraçava Portugal em três principados. O plano de Napoleão era o de aprisionar a Família Real portuguesa, forçando uma abdicação do príncipe regente D. João e impondo um Bonaparte no trono de Portugal. Paralelamente, a Inglaterra apossar-se-ía das colônias portuguesas, sobretudo o Brasil. 

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Os acontecimentos

Em agosto de 1807, com a exigência de resposta imediata, os representantes da França e de Espanha em Lisboa entregaram ao príncipe regente de Portugal, D. João, os “pedidos” de Napoleão: Portugal teria que se juntar no bloqueio continental que a França decretara contra a Inglaterra; fechar os seus portos à navegação britânica; declarar a guerra aos ingleses; sequestrar os seus bens em Portugal, e prender todos os ingleses residentes. Por outro lado, o Reino Unido exortava a transferência para o Brasil da família real e oferecia a sua Esquadra. A posição britânica vinha apoiada num extenso documento em que se dizia que ficara resolvido pelas outras potências “a extinção da Monarquia Européia Portuguesa, e portanto o único recurso era ir conservar a sua Monarquia no Brasil”. Em outubro de 1807, a prisão na Espanha do príncipe herdeiro do trono espanhol, e a notícia de que tropas espanholas e francesas estavam a se dirigir para a fronteira portuguesa confirmaram os propósitos de Napoleão em relação a Portugal e a Espanha; tinham fundamento as advertências da Grã-Bretanha. Não havia outra alternativa à não ser a retirada de toda a Família Real e do Governo do Reino para o Brasil. A entrada de tropas francesas em território português, cuja notícia foi recebida por D. João em 23 de novembro, precipitou os acontecimentos: foi decidido o embarque, o quanto antes, de toda a família real e o Governo de Portugal. Para ficar em Portugal, foi nomeada uma Junta Governativa do Reino, com instruções aos Governadores para tentar conservar em paz o Reino, recebendo bem as tropas do Imperador. Foi nesse contexto que D. João pactuou com a Grã-Bretanha a transferência do governo para o Rio de Janeiro, sob a proteção dos navios de guerra ingleses.

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A transferência da Corte Portuguesa para o Brasil

(início: 29nov1807)

Nos três dias seguintes ocorreu intensa movimentação e foram preparados os navios que viriam a transportar para o Brasil o príncipe regente D. João e toda a corte portuguesa que incluía, além da família real e de diversos funcionários graduados, muitos membros da nobreza com seus familiares e criados. Eram, ao todo, de 12 a 15 mil pessoas, embarcadas em catorze navios carregados de móveis, jóias, pratarias, roupas luxuosas e obras de arte. Em moeda sonante, essa gente transportava metade do dinheiro em circulação no reino português. A viagem teve início a 29 de novembro de 1807. Dezoito navios de guerra portugueses e treze ingleses escoltaram mais de vinte e cinco navios mercantes de Lisboa até à costa do Brasil. 

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A chegada ao Brasil

(Bahia, 24jan1808)

A comitiva real desembarcou na cidade de Salvador, na Bahia, no dia 24 de janeiro de 1808, com uma imensa solenidade. Durante sua breve estada em Salvador e antes de partir para o Rio de Janeiro, o príncipe regente D. João, satisfazendo a expectativa da Inglaterra, decretou em 28 de janeiro de 1808 a "Abertura dos Portos" ao comércio internacional, suspendendo os séculos de monopólio comercial português, uma das bases do chamado Pacto Colonial que estabelecia as relações entre a metrópole e a Colônia.

 

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