Rio H2K 2018 apresenta o espetáculo Cão Sem Plumas da renomada Cia Deborah Colker (Cidade Das Artes, 25, 26 e 27maio)

Rio H2K 2018 apresenta o espetáculo Cão Sem Plumas da renomada Cia Deborah Colker

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Data: 25, 26 e 27 de maio

Local: Cidade das Artes 

Endereço: Avenida das Américas, 5.300 - Barra da Tijuca – RJ

http://cidadedasartes.rio.rj.gov.br/programacao/interna/760
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Entre 25 de maio e 03 de junho, o Rio de Janeiro será palco da oitava edição do Rio H2K – Festival Internacional de Dança. O festival passa a se posicionar como um festival de dança, sem perder a essência e raiz nas danças urbanas, mas como um novo e amplo olhar (através das óticas urbanas) para todas as danças, promovendo outros estilos como jazz fusion, samba, passinho, dança contemporânea e suas múltiplas vertentes de forma ampla e acessível a todos os públicos e idades.

A abertura oficial está marcada para o dia 25, na Grande Sala da Cidade das Artes, com o espetáculo “Cão sem Plumas” da renomada Cia de Dança Deborah Colker. O espetáculo, que estreou no Rio de Janeiro em 2017, fará 4 apresentações durante o final de semana e os ingressos já estão disponíveis.

Deborah Colker faz em “Cão sem plumas”, baseado no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), seu primeiro espetáculo de temática explicitamente brasileira. Publicado em 1950, o poema acompanha o percurso do rio Capibaribe, que corta boa parte do estado de Pernambuco. Mostra a pobreza da população ribeirinha, o descaso das elites, a vida no mangue, de “força invencível e anônima”. A imagem do “cão sem plumas” serve para o rio e para as pessoas que vivem no seu entorno.

“O espetáculo é sobre coisas inconcebíveis, que não deveriam ser permitidas. É contra a ignorância humana. Destruir a natureza, as crianças, o que é cheio de vida”, diz Deborah. A dança se mistura com o cinema. Cenas de um fillme realizado por Deborah e pelo pernambucano Cláudio Assis – diretor de longas-metragens como Amarelo Manga, Febre do Rato e Big Jato – são projetadas no fundo do palco e dialogam com os corpos dos 13 bailarinos. As imagens foram registradas em novembro de 2016, quando coreógrafa, cineasta e toda a companhia viajaram durante 24 dias do limite entre sertão e agreste até Recife.

A jornada também foi documentada pelo fotógrafo Cafi, nascido em Pernambuco. Na trilha sonora original estão mais dois pernambucanos: Jorge Dü Peixe, da banda Nação Zumbi e um dos expoentes do movimento mangue beat, e Lirinha (ex-cantor do Cordel do Fogo Encantado, poeta e ator), além do carioca Berna Ceppas, que acompanha Deborah desde o trabalho de estreia, Vulcão (1994). Outros antigos parceiros estão em cenografia e direção de arte (Gringo Cardia) e na iluminação (Jorginho de Carvalho). Os figurinos são de Claudia Kopke. A direção executiva é de João Elias, fundador da companhia.

Os bailarinos se cobrem de lama, alusão às paisagens que o poema descreve, e seus passos evocam os caranguejos. O animal que vive no mangue está nas ideias do geógrafo Josué de Castro (1908-1973), autor de Geografia da fome e Homens e caranguejos, e do cantor e compositor Chico Science (1966-1997), principal nome do mangue beat. O movimento mesclava regional e universal, tradição e tecnologia. Como Deborah faz. Para construir um bicho-homem, conceito que é base de toda a coreografia, a artista não se baseou apenas em manifestações que são fortes em Pernambuco, como maracatu e coco. Também se valeu de samba, jongo, kuduro e outras danças populares. “Minha história é uma história de misturas”, afirma ela. Tendo a Petrobras como mantenedora desde 1995, seu grupo se firmou como fenômeno pop em Velox (1995), Rota (1997) e Casa (1999). Os espetáculos Nó (2005), Cruel (2008), Tatyana (2011) e Belle (2014) trataram de temas existenciais, como os afetos. Em Cão sem plumas, Deborah reúne aspectos de toda a sua carreira.

A estreia internacional aconteceu em 3 de junho, no Teatro Guararapes, em Recife. A Cia. Deborah Colker conta com o patrocínio da Petrobras desde 1995.