Philip Glass celebra no Brasil seus 80 anos (Cidade das Artes, 14set)

Philip Glass celebra no Brasil seus 80 anos

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Data: 14 de setembro

Horário: 21h

Local: Cidade das Artes – Grande Sala

Endereço: Avenida das Américas - Barra da Tijuca – RJ

http://www.cidadedasartes.org/programacao/interna/688
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Nome de ponta da música mundial e referência da arte contemporânea, Philip Glass é, ao lado de John Adams, um dos dois americanos vivos mais influentes na música de concerto. Seus 80 anos, completados em janeiro de 2017, vêm sendo celebrados em uma extensa turnê mundial que chega ao Brasil em setembro para três espetáculos no Rio de Janeiro e em São Paulo – dois em palco sinfônicos e um ao ar livre, gratuito -, dentro do projeto Mais Piano, com patrocínio da Rede e realização da Dueto Produções.

O compositor leva à Cidade das Artes (dia 14) o conjunto de peças Estudos Completos para Piano, ao lado de quatro pianistas convidados: a japonesa Maki Namewaka, a tailandesa-americana Jenny Lin e os brasileiros Ricardo Castro e Heloísa Fernandes.  Os cinco se revezam tocando as 20 peças dos estudos compostos entre 1994 e 2012 e que tiveram estreia em 2013, na Austrália, como programa completo. Ao longo do último ano, este ciclo tem sido apresentado como um dos eventos que celebram a data redonda, com diferentes configurações, que incluem de três a dez pianistas, além de programações sinfônicas, remontagem de óperas e festivais pelo mundo afora.

"Os Estudos começaram a ser compostos em meados dos anos 1990 e estou ainda acrescentando peças a essa coleção. Há dois propósitos nessa criação: primeiro, ter música para meus recitais solo. E, em segundo lugar, para que eu amplie a minha técnica como pianista, desafiando minha própria interpretação. O resultado é um conjunto com largo espectro de dinâmica, ritmo e emoção. Espero completar a segunda leva de dez estudos nos próximos anos.", explicou Glass em 2003.

Philip Glass continua produzindo incessantemente sua inconfundível música, marcada pela reiteração de células melódicas, harmônicas e rítmicas, na linguagem singular que cunhou como ‘música com estruturas repetitivas’ e que costuma ser chamada de ‘minimalismo’, termo que ele próprio não adota.

Sua incansável busca para expandir a linguagem artística o leva a parcerias com nomes da música pop e da literatura como Paul Simon, David Byrne, Leonard Cohen, Linda Ronstadt, Ravi Shankar, o poeta Allen Ginsberg e a escritora Doris Lessing.

O compositor ganhou reconhecimento do grande público a partir da ópera Einstein on The Beach, 1976, de Robert Wilson, e de sua trilha para o filme Koyaanisqtasi, de 1982 – em que cenas do planeta e paisagens desfilavam conjugadas com a música impactante – e até hoje mantém forte ligação com o cinema: escreveu música para numerosas produções, entre elas, As Horas (com Nicole Kidman), O Sonho de Cassandra (de Woody Allen), A Janela Secreta (estrelada por Johnny Depp), Kundun (de Martin Scorcese), O Quarteto Fantástico (2015, direção de Josh Trank) e também os brasileiros Nosso Lar (de Wagner de Assis) e Jenipapo, de Monique Gardenberg, responsável, como produtora, pela atual turnê brasileira de Glass.

Com o escultor americano Richard Serra, Glass produziu diversas instalações e intervenções – como no recente Equal, em que ele tocava entre cubos de aço de 40 toneladas empilhados dois a dois. No Brasil, trabalhou com Carlito Carvalhosa em A Soma dos Dias, de 2010: a instalação de Carvalhosa criou uma espiral de panos translúcidos dentro da qual o compositor interpretava suas peças.

A relação do compositor com o Brasil, aliás, é sólida. Seu filho Zachary, guitarrista e compositor, passou longo tempo no país. Em 1989, Glass compôs Itaipu, para coro e orquestra. Mesmo ano em que inicia parceria com Gerald Thomas, na ópera Mattogrosso, seguida de outros trabalhos com o encenador, incluindo Carmem com filtro 2. Outra peça para orquestra, de 1997, reflete suas impressões sobre a maior favela da América do Sul: Days and Nights in Rocinha. Além da colaboração com o Uakti  em Oito Peças para um Ballet, para o Grupo Corpo, ele conta que convidou o grupo musical mineiro liderado por Marco Antonio Guimarães para gravar sob sua direção. Sua última passagem pelo Brasil aconteceu em 2011, quando tocou em duo com o violinista Tim Fain em Olinda e São Paulo.

Em sua autobiografia, Glass localiza no teatro de Beckett uma das maiores influências para seu estilo. Em 1983, escreveu seu Quarteto de Cordas no. 2 para uma encenação de Company, poema em prosa do dramaturgo. Das muitas peças para dança que ele compôs, destacam-se Glassworks, para o NY City Ballet, coreografado por Jerome Robbins em 1983; In the Upper Room, Twyla Tharp, 1986; para o Alvin Ailey de Lar Lubovitch, fez North Star em 1990.

O pianista e compositor, nascido em 1937 e criado em Baltimore, é filho de uma bibliotecária e do dono de uma loja de discos imigrantes lituanos. Estudou filosofia, matemática, se encantou na faculdade com a música serialista de Anton Webern e, em Paris, com os filmes de Jean Cocteau. Estudou na Julliard School em Nova York; com o compositor Darius Milhaud; e com Nadia Boulanger, professora francesa que formou gerações.

Sua experiência em Paris e o contato com Ravi Shankar nos anos 1960, mais a vida no bairro boêmio de Nova York nos anos 1970 e 1980, repleto de artistas que experimentavam linguagens e trocavam experiências, provou-se determinante para a interdisciplinaridade de sua obra, que se desdobra em colaborações com artistas de todas as áreas. A música indiana, em particular, foi fundamental para forjar o estilo de reiterações que marca sua obra.

Na década de 1970, para sobreviver, dirigia táxi, tinha uma empresa de mudanças e trabalhava como bombeiro hidráulico enquanto compunha (“procurava atividades que tivessem um mínimo ou nenhum significado para mim”, conta ele). Um marco especial foi a criação do Philip Glass Ensemble em 1967. Em 1982, Philip Glass assinou a trilha de Koyaanisqtasi, filme de Godfrey Reggio que fascinou plateias do mundo inteiro. A poderosa e hipnótica combinação de imagens de grandes paisagens – muitas em time-lapse - e a música de Glass foi um espanto. O compositor, ali, ganhava popularidade planetária, que, desde então, não parou de crescer.

Ele mantém na Califórnia o centro de estudos e performances Philip Glass Center for the Arts, Science, and the Environment - http://philipglasscenter.org