CASUARINA – LANÇAMENTO DO CD+100 (Theatro Net Rio, 10 de agosto às 21hrs)

Casuarina – Lançamento do CD+100

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Data: 10 de agosto

Horário: sexta às 21h 

Local: Theatro NetRio

Endereço: Rua Siqueira Campos, 143 – 2° piso – Copacabana – RJ

https://www.ingressorapido.com.br/event/8552/d/36853
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Quando a gravadora Odeon botou na praça, em 1917, um disco de 78 rotações por minuto com a gravação de "Pelo Telefone", em composição atribuída a Ernesto dos Santos, o Donga, e a Mauro de Almeida, o selo do álbum classificava a composição como "samba". À época, o que não se contava, porém, era que aquela "novidade" não era, digamos, tão novidadeira assim. O tal do samba havia nascido na Bahia e, como definiu à perfeição o referencial Nei Lopes, o gênero apenas ganhou "cidadania" no Rio de Janeiro. 

Ao longo de um século, como numa roda da fortuna, o samba ora viveu momentos de glória e de reconhecimento - ao "penetrar no Municipal", como magistralmente definiu Cartola -, ora amargou períodos de baixa - agonizando, mas nunca morrendo, como alertou outro ícone mangueirense, Nelson Sargento. Se o samba não desapareceu (e nem desaparece) é porque sempre houve (e sempre haverá) criadores e recriadores que levam adiante sua bandeira, vez ou outra revelando verdadeiras obras-primas. 

Hoje, se segue de passada firme e ainda permeando o imaginário popular dos brasileiros, o samba deve isso a diversos personagens que o respeitam e, ao mesmo tempo, têm coragem para renová-lo, como o Casuarina. É com trabalhos como + 100, oitavo disco do grupo, que o desejo de longevidade ao centenário gênero genuinamente brasileiro, o samba, mais do que se afirma, se concretiza.

Retomando uma parceria com a Biscoito Fino (gravadora pelas quais o Casuarina lançou seus dois primeiros álbuns), nas 12 faixas de + 100, o grupo apresenta um repertório tão diversificado quanto rico, bem costurado e amarrado, dando voz a craques veteranos, como Ivor Lancellotti e Roque Ferreira, e, principalmente, a uma safra fresquíssima de novos e talentosos compositores. Com isso, ao criar um amplo painel com boas variações de estilo dentro do próprio samba, consegue soar emotivo e dançante, complexo e panorâmico, direto e comunicativo, mas sem cair no piegas. 

Nesse mosaico, há espaço para a dolência de "Tempo Bom na Maré" (Ivor Lancellotti e Roque Ferreira) - ao bom estilo dos sambas de Wilson das Neves -, "Um Samba de Saudade" (Chico Alves e Toninho Geraes) e "Marejando" (Claudemir, Mario, Rafael, Marcio e Samuel) - com aberturas de vozes e, mais, com a cadência que lembra sambas de amor tornados clássicos na voz de Zeca Pagodinho. Há espaço também para o balanço e a batucada de "Trago no Meu Pandeiro" (Rogê, Marcelinho Moreira e Fadico), remetendo à influência inescapável do Fundo de Quintal, com destaque para o banjo e para o violão tenor, tão bem tocado naqueles discos de outrora pelo mestre Zé Menezes. 

Cabe também a levada amaxixada/forrozeada de "Recordação" (André da Mata e Raul DiCaprio), a ancestralidade de "Falangeiro de Ogum" (Leandro Fregonesi e Raul DiCaprio) e de "Vovó Desata Esse Nó" (Pedrinho da Porteira e Mafram do Maracanã) e as divisões rítmicas interessantes de "Olhos da Lembrança" (Alaan Monteiro e Wanderley Monteiro). Como se o caldeirão do Casuarina já não estivesse extremamente bem temperado, convidados especiais ainda adicionam sua opinião, seu molho, sua personalidade. Além de sambistas de primeira linhagem como Martinho da Vila, em "Tempo Bom", e Leci Brandão, em "Herança de Partideiro" (de Hamilton Fofão e Ivani Ramos, na linha de expoentes como Aniceto e Candeia, autor do antológico "Testamento de Partideiro"), o disco também conta com nomes que não são essencialmente ligados ao universo do samba, como Criolo, em "Quero Mais Um Samba" (Raul Sampaio e Rogério Bicudo), e Geraldo Azevedo, em "Embira" (Cadé e Raul DiCaprio), com sua singular combinação de lirismo e expressividade. 

Por si só, o mais recente álbum do Casuarina já se apresenta com novidade e frescor. Pela primeira vez, um disco do grupo chega às lojas (físicas e digitais) sem a presença do cantor, compositor e instrumentista João Cavancanti. Ao ouvir + 100, é quase que inevitável não estabelecer um paralelo com o grupo Fundo de Quintal. Por quê? Simples. Mesmo com as saídas de mestres como Almir Guineto, Jorge Aragão, Arlindo Cruz e Sombrinha - que, de maneira legítima, apostaram em suas carreiras-solo -, a turma do Cacique de Ramos nunca perdeu sua relevância como conjunto. 

O mesmo vale para o Casuarina. João segue trilhando seu caminho com o mesmo brilhantismo. Sem prejuízo, o Casuarina, que sempre dividiu muito bem o protagonismo entre seus integrantes, segue renovado e renovador com Gabriel Azevedo (voz, percussão e coro), Daniel Montes (violão de 7 cordas, coro e arranjos), João Fernando (bandolim, violão tenor, coro e arranjos) e Rafael Freire (cavaquinho, banjo e coro), num time em que, com talento e vivacidade, todos envergam a camisa 10. Para quem ainda duvida da força e da perenidade do samba, ouça discos atuais como +100, do Casuarina, e os preparativos para a festa de bicentenário do gênero mais brasileiro que há já estão esperançosamente garantidos.

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