Peça Brimas (Teatro Clara Nunes, até 23jun)

Peça Brimas
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Data: de 02 até 23 de junho

Horário: sábado às 19h 

Local: Teatro Clara Nunes

Endereço: Rua Marquês de São Vicente, S/Nº - Gávea – RJ
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A partir de fatos vividos por suas avós, Beth e Simone escreveram a peça para trazer ao palco as matriarcas Ester e Marion. Ambas saíram jovens de seus países de origem, Egito e Líbano respectivamente, e foram acolhidas no Brasil no início do século passado. As personagens, uma judia e a outra católica maronita, estabelecem uma relação de amizade, convivendo com tolerância e respeito, valorizando a riqueza da diversidade cultural e religiosa de cada uma.

“No final de 2015, fomos invadidos por imagens e notícias sobre os refugiados sírios, exatamente quando estreávamos ‘Brimas’, ressignificando nosso projeto. Tolerância, respeito, direitos, identidade, imigração, fronteiras, ganharam força com a realidade retratada pela mídia. Nossa peça, construída por memória afetiva e força cultural vinda das matriarcas Ester e Marion, foi fortalecida por esses ingredientes humanos e importantes para todos... os que ficam, os que vão, os que tem sua terra, os que são exilados”, explica a atriz e autora Simone Kalil.

Na peça, as imigrantes revivem suas histórias enquanto cozinham quibes para um velório. O riso, a saudade da família e as memórias do passado se misturam nessa história cheia de emoção e sabedoria. A peça reflete o Brasil que acolhe as diferentes culturas, misturando e unindo nacionalidades e crenças religiosas. É um contraponto à realidade atual em que tantos refugiados no mundo têm suas travessias interrompidas.

A montagem estreou em novembro de 2015 no Rio de Janeiro, recebendo indicação ao Prêmio Shell na categoria Melhor Texto. Desde então, já se passou por uma série de teatros no Rio e em São Paulo. A aceitação e identidade com a plateia foram imediatas em todas as temporadas. “É uma peça que tem muito humor, mas é profunda. Sobrevivemos sem patrocínio porque ‘Brimas’ comove as pessoas, faz com que elas pensem na própria história”, acrescenta o diretor Luiz Antônio Rocha.

Para a autora e atriz Beth Zalcman, falar de sua avó é falar de identidade construída pelo afeto, pelo cheiro e sabores da comida, pelos gestos, pela voz, pelas histórias vividas e sentidas. “Nesse trajeto, estabelecemos vínculos com comunidades de origens árabes e judaicas e ONGS que acolhem refugiados no Rio. Pudemos diversas vezes, ao final de uma sessão, contar com depoimentos de refugiados e historiadores, gerando conversas de altíssimo nível com a plateia e, assim, ampliando as possibilidades do espetáculo. “Brimas fala da possibilidade de encontros, de paz, independentemente de crenças, nesse momento contemporâneo de tanta intolerância”, conclui.

 

 

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