A França Antártica e a cidade do RJ

A FRANÇA ANTÁRTICA 

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A descoberta da Baía de Guanabara e a exploração do território 

No dia 1º de janeiro de 1502, navegadores portugueses avistaram a Baía de Guanabara e, acreditando tratar-se da foz de um grande rio, deram-lhe o nome de Rio de Janeiro. Logo mais, a descoberta do pau-brasil no litoral brasileiro fez com que franceses, espanhóis e holandeses passassem a vir com freqüência para levar a madeira dessa árvore à Europa. Os portugueses, que pretendiam dominar sozinhos o território, proibiram a presença de estrangeiros na região, mas esta determinação nem sempre foi obedecida, tanto que franceses e holandeses estabeleceram colônias em vários pontos do Brasil, levando Portugal a promover diversas batalhas a fim de expulsá-los de suas terras. No que diz respeito à cidade do Rio de Janeiro, os acontecimentos mais expressivos, diretamente ligados à sua história, foram “A França Antártica”, e cerca de 150 anos após, as invasões dos corsários franceses Jean-François Duclerc e Duguay-Trouin (relatadas na Praça da Conceição, por motivo cronológico).

 

A FRANÇA ANTÁRTICA 

Estimulados pelas riquezas da terra recém descoberta por Portugal, os franceses objetivavam instalar núcleos colonizadores para o comércio com a metrópole e interferir no comércio marítimo com as Índias. Em 1555 se estabeleceram  na baía de Guanabara - local evitado pelos portugueses devido à hostilidade dosíndios na região -, pretendendo a implantação da França Antártica, uma colônia francesa no Brasil, e fundaram o Forte Coligny na atual ilha de Villegagnon. Combatidos e derrotados em 1560 por Mém de Sá - governador-geral do Brasil que, após destruir suas fortificações, retornou a Salvador - os franceses se refugiaram nas matas com seus aliados, os índios tamoios (em realidade, uma aliança, liderada pela nação tupinambá, que congregava também os guaianazes, aimorés e temiminós), tendo retornado após a saída dos portugueses. 

 

A fundação da cidade do Rio de Janeiro

Visando a posse definiva da região, em 1563 foi enviado ao Brasil Estácio de Sá, militar português e sobrinho de Mém de Sá, com a missão de expulsar os franceses remanescentes da baía de Guanabara e alí fundar uma cidade para ser a base das operações para o combate e expulsão dos franceses que dominavam a área por dez anos. Ao desembarcar na Baía de Guanabara, em 1º de março de 1565, numa estreita praia entre o morro do Pão-de-Açúcar e o morro Cara de Cão  (situado na margem direita da barra da baía de Guanabara, no atual bairro da Urca), Estácio de Sá imediatamente iniciou a construção das primeiras palhoças protegidas por uma estacada. Neste ponto estratégico, veio a ser formada a Fortaleza de São João, sede de sucessivas unidades do Exército Brasileiro e que hoje abriga o Centro de Capacitação Física do Exército. Este pequeno arraial deu origem à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, formada por invocação de São Sebastião. Na ocasião, numa ermida de taipa, coberta de sapê, entronizou-se uma imagem de São Sebastião, que passava a ser o padroeiro da cidade. O próprio Estácio de Sá instituiu, na ocasião, as três setas do martírio do santo como armas da cidade. Atualmente, na praça do Russel, um monumento homenageia São sebastião, o padroeiro da cidade do RJ. Ainda com os primeiros muros sendo levantados, em 6 de março, a recém-fundada cidade sofreu um assalto por mar desfechado por três naus francesas e mais de cento e trinta canoas de guerra procedentes do Cabo Frio. Após alguns dias resistindo ao assalto, Estácio decidiu passar ao contra-ataque, acometendo as embarcações francesas e logrando repelí-las. A seguir, Estácio de Sá nomeou um juiz para a nova cidade e passou, em julho, a distribuir sesmarias e a atender aos moradores da fortificação que lhe solicitavam terras para rocio e para a instalação definitiva da cidade. Durante esse ano de 1565, foram concedidas trinta e três sesmarias, entre as quais a da Companhia de Jesus. Em 1566 foram concedidas mais vinte e duas sesmarias.

 

A batalha de Uruçu-mirim e a expulsão definitiva dos franceses

Estácio de Sá combateu os invasores e seus aliados indígenas durante mais de dois anos de encarniçados combates. Finalmente, em 20 de janeiro de 1567, na batalha de Uruçu-mirim (nome da atual praia do Flamengo), os franceses - derrotados por Estácio de Sá ajudado pelas tropas de Mém de Sá e da região de São Vicente, com a colaboração dos índios temiminós do Espírito Santo comandados por Araribóia -, foram definitivamente expulsos da baía de Guanabara. Entretanto, nesta batalha, Estácio de Sá, gravemente ferido por uma flecha indígena que lhe vazou um olho, veio a falecer um mês mais tarde, 20 de fevereiro de 1567. Como recompensa por sua ajuda, Araribóia recebeu uma sesmaria na região do Rio de Janeiro, onde fundou a vila de São Lourenço, que deu nome à cidade de Niterói. 

 

ESTÁCIO DE SÁ

Militar português (Santarém, 1520 - RJ, 20 de fevereiro de 1567), sobrinho de Mem de Sá, fundador da cidade do Rio de Janeiro e 1º governador-geral da Capitania do Rio de Janeiro, no período colonial. Em 1º  de março de 1565 desembarcou na Baía de Guanabara e fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, sua base de operações para o combate e expulsão dos franceses que dominavam a área por dez anos. Em 20 de janeiro de 1567, após renhidos combates, os franceses foram definitivamente expulsos da Baía de Guanabara. Entretanto, Estácio de Sá, gravemente ferido por uma flecha indígena que lhe vazou um olho durante a batalha de Uruçu-mirim (atual Praia do Flamengo), veio a falecer um mês mais tarde, em 20 de fevereiro de 1567. 

Saiba mais

 

A cidade do RJ no período colonial

A povoação foi refundada no alto do morro do Castelo (completamente arrasado em 1922), no atual centro histórico da cidade. O novo povoado marca, de fato, o começo da expansão urbana. De início acelerado, a cidade do RJ acenou com um desenvolvimento lento durante quase todo o séc. XVII.  Uma rede de pequenas ruelas conectava entre si as igrejas, ligando-as ao Paço e ao Mercado do Peixe, à beira do cais. A partir delas, nasceram as principais ruas do atual centro. Com cerca de 30 mil habitantes na segunda metade do séc. XVII, o Rio de Janeiro tornara-se a cidade mais populosa do Brasil, passando a ter importância fundamental para o domínio colonial. Essa importância tornou-se ainda maior com a exploração de jazidas de ouro em Minas Gerais, no séc. XVIII: a proximidade levou à consolidação da cidade como proeminente centro portuário e econômico.

 

A sede da colônia: de Salvador para o Rio de Janeiro

Em 1763, o ministro português Marquês de Pombal transferiu a sede da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro. A vinda da corte portuguesa, em 1808, marcaria profundamente a cidade, então convertida no centro de decisão do Império Português, debilitado com as guerras napoleônicas. Após a Abertura dos Portos, tornou-se um proeminente centro comercial. Nos primeiros decênios, foram criados diversos estabelecimentos de ensino, como a Academia Militar, a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios e a Academia Imperial de Belas Artes, além da Biblioteca Nacional – com o maior acervo da América Latina – e o Jardim Botânico. O primeiro jornal impresso do Brasil, a Gazeta do Rio de Janeiro, entrou em circulação nesse período. Foi a única cidade no mundo a sediar um império europeu fora da Europa. Foi a capital do Brasil de 1763 a 1960, quando o governo transferiu-se para Brasília. Atualmente é a segunda maior cidade do país, depois de São Paulo. Entre 1808 e 1815, foi capital do Reino de Portugal e dos Algarves, como era oficialmente designado Portugal na época. Entre 1815 e abril de 1821, sediou o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, após elevação do Brasil a parte integrante do Reino Unido.

 

A cidade do RJ no período imperial

Após a independência, a cidade tornou-se a capital do Império do Brasil, enquanto a província enriquecia com a agricultura canavieira da região de Campos e, principalmente, com o novo cultivo do café no Vale do Paraíba. De modo a separar a província da capital do Império, a cidade foi convertida, no ano de 1834, em Município Neutro, passando a província do Rio de Janeiro a ter Niterói como capital. Como centro político do país, o "Rio" concentrava a vida político-partidária do império. Foi palco principal dos movimentos abolicionista e republicano na metade final do séc. XIX. Durante a República Velha, com a decadência de suas áreas cafeeiras, o estado perde força política para São Paulo e Minas Gerais.

 

A cidade do RJ no período republicano

Com a Proclamação da República, nas últimas décadas do séc. XIX e início do séc. XX, o Rio de Janeiro enfrentava graves problemas sociais advindos do crescimento rápido e desordenado. Com o declínio do trabalho escravo, a cidade passara a receber grandes contingentes de imigrantes europeus e de ex-escravos, atraídos pelas oportunidades que ali se abriam ao trabalho assalariado. Entre 1872 e 1890, sua população duplicou, passando de 274 mil para 522 mil habitantes. O aumento da pobreza agravou a crise habitacional, traço constante na vida urbana do Rio desde meados do séc. XIX. O epicentro dessa crise era ainda, e cada vez mais, o miolo central – a Cidade Velha e suas adjacências –, onde se multiplicavam as habitações coletivas e eclodiam as violentas epidemias de febre amarela, varíola, cólera-morbo, que conferiam à cidade fama internacional de porto sujo. Muitas campanhas de erradicação, perpetradas pelos governos da época, não foram bem recebidas pela população carioca. Houve muitas revoltas populares, entre elas, a Revolta da Vacina, de 1904, que também teve como causa a tomada de medidas impopulares, como as reformas urbanas do centro, executadas pelo engenheiro Pereira Passos. Vários cortiços foram demolidos e, a população pobre da região central, deslocada para as encostas de morros, na zona portuária e no Caju, sobretudo os morros da Saúde e da Providência. Tais povoamentos cresceram de maneira desordenada, dando início ao processo de favelização (ainda não muito preocupante na época) – o que não impediu a adoção de várias outras reformas urbanas e sanitárias que modificaram a imagem da então capital da República. Data desse período a abertura do Theatro Municipal e da avenida Rio Branco, com os edifícios inspirados em elementos da Belle Époque parisiense, e a inauguração, em 1908, do Bondinho do Pão de Açúcar, um dos marcos da engenharia brasileira, em comemoração aos 100 anos da Abertura dos Portos.

 

A expansão para a zona sul e a transferência da capital para Brasília

A ocupação da atual zona sul efetivou-se com a abertura do Túnel Velho, que fazia a conexão entre Botafogo e Copacabana. O surgimento do Copacabana Palace, em 1923, consagrou, definitivamente, o processo de ocupação e o turismo na região, que experimentou uma explosão demográfica. O Cristo Redentor seria inaugurado em 1931, tornando-se um dos cartões-postais do Rio e do Brasil. Após a transferência da Capital Federal para Brasília em 1960, o Rio foi transformado numa cidade-estado com o nome de Guanabara. Em 15 de março de 1975 ocorreu a fusão com o antigo estado do Rio de Janeiro e, em 23 de julho, foi promulgada a Constituição do Rio de Janeiro.

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