O descobrimento do Brasil (1500)

O DESCOBRIMENTO DO BRASIL

(1500)

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CASUAL OU INTENCIONAL ???

 

A armada

Confirmando o sucesso da viagem de Vasco da Gama no âmbito de encontrar um novo caminho para as Índias - visto que o Mediterrâneo se encontrava sob posse dos mouros -, o Rei D. Manuel I de Portugal se apressou em mandar aparelhar uma nova frota para as Índias. Esta armada, a mais bem equipada até então, integrada por navegadores experientes, era formada por 10 náus (barco de grande porte destinado a longos percursos) e 3 caravelas (embarcação de médio porte e três velas, rápida e de fácil manobra, apta para se navegar à bolina e, se necessário, movida a remos), transportando de 1.200 a 1.500 homens, entre funcionários, soldados e religiosos. Comandada por Pedro Álvares Cabral, estima-se que esta armada levava mantimentos para cerca dezoito meses.

  • Pedro Álvares Cabral (wikipédia)

    • Navegador português, (Belmonte, 1467 ou 68 — Santarém, 1520 ou 26), foi nomeado em 1499, pelo rei de Portugal D. Manoel I, comandante de uma armada (a segunda) que se dirigiria à Índia com o objetivo de estabelecer relações comerciais e diplomáticas, instalar um entreposto comercial e retornar com o máximo de mercadorias.

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Conselhos de Vasco da Gama

Para a longa viagem a realizar, conselhos teriam sido dados por Vasco da Gama: a coordenação entre os navios era crucial para que não se perdessem uns dos outros - que o capitão-mor disparasse os canhões duas vezes e esperasse pela mesma resposta de todos os outros navios antes de mudar o curso ou velocidade (método de contagem ainda atualmente utilizado em campo de batalha terrestre) -, dentre outros códigos de comunicação.

  • Vasco da Gama (wikipédia)

    • Navegador e explorador português (Sines, Portugal, 1460 ou 1469 — Cochim, Índia, 24 de Dezembro de 1524) . Destacou-se por ter sido o comandante dos primeiros navios a navegar da Europa para a Índia, na mais longa viagem oceânica até então realizada, superior a uma volta completa ao mundo pelo Equador.No fim da vida foi, por um breve período, Vice-Rei da Índia .

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A viagem

Em 9 de março de 1500, esta grande frota fez-se ao mar, com o objetivo formal de novamente tentar atar relações comerciais com os portos índicos de Calecute, Cananor e Sofala, uma vez que Vasco da Gama havia sido, na primeira tentativa, absolutamente desastroso, chegando a ser ridicularizado pelos governantes locais dadas as péssimas condições em que os portugueses se encontravam no desembarque. Neste mesmo aspecto diplomático, a viagem de Cabral também mostrou-se um grande fracasso, sendo que Portugal ainda demoraria mais algumas décadas até conseguir uma relação comercial com esses portos. Pelo dia 14 de março já encontravam-se nas Canárias e no dia 22 chegavam a Cabo Verde, porém no dia seguinte um dos navios da frota desapareceu misteriosamente.

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A chegada ao Brasil

Após 40 dias de viagem, tendo-se afastado da costa africana, não se sabe se acidental ou premeditadamente - embora recentes pesquisas historiográficas demonstrem que os portugueses tinham, no mínimo, alguns fortes indícios de haver terra no outro lado do Atlântico (graças à carta da viagem de Vasco da Gama); é certo que por esta data já se tinha, na Europa, o conhecimento da existência de terras a leste da linha do Tratado de Tordesilhas - foi avistado, em 22 de abril de 1500, um pequeno monte de 562 m de altura, no sul do atual estado da Bahia. Ao monte, Cabral batizou-o como Monte Pascoal (pois o desembarque ocorreu na Páscoa de 1500) e à terra, acreditando não ser muito extensa, chamou-a de Ilha de Vera Cruz. Posteriormente, ao se descobrir ser um continente, denominaram-na Terra de Santa Cruz (hoje Porto Seguro, na Bahia). Aproveitando os ventos alísios, a esquadra bordejou a costa baiana em direção ao norte, à procura de uma enseada, achada afinal pouco antes do pôr-do-sol do dia 24 de abril, em local que viria a ser chamado Baía Cabrália.

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Certidão de nascimento do Brasil

Tomando posse da nova terra em nome da Coroa portuguesa, Cabral enviou, de volta ao reino, uma das embarcações menores com a notícia de sua descoberta, juntamente com a carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da armada, relatando os fatos. O encontro entre portugueses e índios está documentado na carta escrita por Caminha. O choque cultural fora evidente. Os indígenas não reconheceram os animais que traziam os navegadores, à exceção de um papagaio que o capitão trazia consigo; ofereceram-lhes comida e vinho, os quais os índios rejeitaram. A curiosidade tocou-lhes pelos objetos não reconhecidos - como umas contas de rosário, e a surpresa dos portugueses pelos objetos reconhecidos - os metais preciosos. Fez-se curioso e absurdo aos portugueses o fato de Cabral ter vestido-se com todas as vestimentas e adornos os quais tinha direito um capitão-mor frente aos índios e estes, por sua vez, terem passado por sua frente sem diferenciá-lo dos demais tripulantes.

  • Pero Vaz de Caminha (wikipédia)

    • Escritor português (1450-1500), que se notabilizou como escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral. Dele foi a carta considerada a “certidão de nascimento do Brasil”, embora, dado o segredo com que Portugal sempre envolveu relatos sobre sua descoberta, só fosse publicada no séc. XIX (em 1817).

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A primeira missa

Em Cabrália, no domingo de 26 de abril de 1500, foi celebrada a primeira missa no Brasil por Henrique Soares de Coimbra, bispo da armada (imortalizada na célebre pintura de Victor Meirelles). Os indígenas começaram a tomar conhecimento da fé dos portugueses ao assistirem esta Primeira Missa. Posteriormente, com a chegada de frotas lusitanas com o objetivo de permanecer no Brasil - e a tentativa de evangelizar os índios de fato -, os portugueses perceberam que a suposta facilidade na cristianização dos indígenas na verdade traduziu-se apenas pela curiosidade destes com os gestos e falas ritualísticos dos europeus, não havendo um real interesse na Fé Católica, o que forçou os missionários a repensarem seus métodos de conquista espiritual.

 

  • Henrique Soares de Coimbra (wikipédia)
     
    • Frade e bispo português (1465-1532), célebre missionário na Índia e na África, que viajou na frota de Cabral em 1500 dirigindo um grupo de religiosos destinados às missões do Oriente. Já em Calecute, após o descobrimento do Brasil e a viagem até a Índia, cinco dos oito religiosos foram mortos no reencontro com muçulmanos, tendo então, face o fracasso da sua missão,  retornado a Portugal.

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A continuação da viagem

A frota permaneceu em Cabrália até 2 de maio, quando rumou para as Índias, cumprindo finalmente seu objetivo formal de viagem, deixando dois degredados e dois grumetes que desertaram. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, Pedro Álvares Cabral perdeu quatro de seus navios. Ao chegar ao seu destino assinou o primeiro acordo entre Portugal e um potentado na Índia. A feitoria portuguesa foi então instalada, mas teve duração efêmera pois foi atacada pelos muçulmanos neste mesmo ano.

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Os povos nativos

Quando da chegada dos portugueses ao Brasil, o litoral baiano estava ocupado por duas nações indígenas do grupo linguístico tupi: os tupinambás, que ocupavam a faixa compreendida entre Camamu e a foz do Rio São Francisco; e os tupiniquins, que se estendiam de Camamu até o limite com o atual Estado brasileiro do Espírito Santo. Mais para o interior, ocupando a faixa paralela à apropriada pelos tupiniquins, estavam os aimorés. No início do processo de colonização do Brasil, os tupiniquins apoiaram aos portugueses, enquanto seus rivais, tupinambás, apoiaram aos franceses, que durante os séculos XVI e XVII realizaram diversas ofensivas contra a América Portuguesa. A presença dos europeus incendiou mais o ódio entre as duas tribos. Ambas as tribos possuiam cultura antropofágica com relação aos seus rivais, característica que durante séculos não fora compreendida pelos europeus, o que resultou na posterior caça àqueles que se recusassem a mudar esse hábito.

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